Páginas

Apesar de tudo, insisto em ser honesta

Por que ainda me surpreende a desonestidade de alguns?
Em momentos de minha vida em que precisei reivindicar direitos e questionar situações que estavam erradas o que recebi em resposta? Risos irônicos.
Como me senti? Perplexa. Como pessoas que deveriam “defender” a lei podem rir de alguém que procura justiça?! É claro que são alguns; alguns profissionais desonestos.
Riram, como se eu fosse boba por ser honesta... Riram, como se fosse raro ser uma pessoa honesta... Riram, como se afirmassem “deixa isso pra lá”, “podemos arranjar isso, dar um jeito”...
E como reagi aos risos jocosos? Educadamente, com delicadeza, reafirmando a minha decisão por questionar algo incorreto. E o que me disseram? Que poderia ser privilegiada se mudasse de ideia, mas não era o que queria e nem quero, ou seja, fui julgada por ser honesta, não deveria ser o contrário?!
Refleti: como a corrupção acontece em coisas tão pequenas, tão cotidianas, além disso, por uns e outros desonestos, que querem vantagens a qualquer preço, muitos sofrem as consequências direta e indiretamente.
Sem dúvida, quando pessoas honestas se calam, diante de injustiças, abrem precedentes para que coisas erradas continuem acontecendo. Por certo, muitos se calam por medo, uns por comodismo, outros por não saber o que fazer ou a quem recorrer, mas é preciso fazer algo, não podemos recuar diante de risos e olhares irônicos, não podemos aceitar “arranjos e jeitinhos”, é preciso questionar; é por isso que, apesar de tudo, eu insisto em ser honesta, mesmo que riam de mim.
Respondo agora a pergunta inicial: por que ainda me surpreende a desonestidade de alguns? Porque honestidade não deveria ser uma dádiva a poucos, nem uma virtude invejável; honestidade deveria ser algo intrínseco a todo ser humano.


Fabiana Cristina Ventura

Nenhum comentário: