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Para que tantos flashes afinal?

Acredito sim que é importante registrar ocasiões especiais, no entanto hoje em dia registram-se de tudo, até mesmo momentos triviais, no fim o que faremos com tantas fotos?
Há vários momentos bons que se perdem em meio a flashes desesperados, assim, registra-se o outro, mas de fato, não se vê o outro. Não seria melhor, às vezes, deixar de lado os “olhos mecânicos” e usar os sentidos para captar as impressões vividas? Deveríamos registrar menos com flashes e mais com o coração.
Revelo: são raras as fotos que tenho de meu pai falecido, são retratos de família, de batizados, de aniversários, de viagens (as poucas que fazíamos), não sinto falta de ter mais fotos, explico: do que adiantaria ter um milhão de imagens sem sentido algum para mim? Fotos podem ser desgastadas com o tempo, esquecidas em gavetas, ou, perdidas em algum arquivo de computador.
Imagem particular - foto de família (com arte)
As melhores imagens que tenho de meu pai foram captadas pela lente de meu coração e gravadas em minha memória, nela estão registradas características que nem a máquina fotográfica mais moderna seria capaz de captar; gravei a profundidade do olhar de meu pai, a intensidade de sua voz, a textura de sua pele, a imensidão de seu sorriso, as nossas prosas ao fim do dia... Ah, como meu pai ainda está vivo em meu coração e em minha memória!
Entendi com o tempo: a memória não é uma clausura, onde são trancafiadas as recordações; a memória é uma abertura, por onde perambulam histórias que ressurgem alguma hora... Principalmente, aprendi: coração e memória são juntos a melhor forma de registrar.

(Obs. Confesso: não sou de prosa, sou de poesia, porém esses tempos tenho me aventurado a prosear um pouco).

Fabiana Cristina Ventura 



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