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Divagações poéticas sobre o amor

Manuel Bandeira, dias atrás lendo o seu poema - “Arte de amar”, detive-me bastante tempo meditando sobre alguns versos.
Cabe aqui dizer: acredito que poesia não é para ser explicada e sim sentida (como já disseram vários poetas), então, peço licença para sentir mais acerca de seu poema.
Primeiramente, foi este seu verso que me chamou atenção: “Porque os corpos se entendem, mas as almas não”, como assim as almas não se entendem?
Quando você verseja que “Só em Deus ela pode encontrar satisfação”, igualmente creio que só nEle a alma terá um repouso completo... Mas, imagino que é possível haver o entendimento das almas (entre nós: seres efêmeros). 
Não estou aqui falando em “almas gêmeas”, nem creio nisto. Acho que para o amor é preciso que uma alma encontre eco na outra, para existir eco é preciso que haja som, para ter som é necessário comunicação, é nisto que eu creio: na conversa entre as almas.
Sabe Bandeira, ainda insisto em ponderar que o amor surge do encontro e do encanto das almas, das correspondências espirituais, portanto, em minha opinião, o amor é mais espiritual do que material, a matéria se esgota; o espírito não.
Pensando por outro lado, apesar de tudo... Neste tempo de consumos o amor se perde num emaranhado de anúncios, ele se dispersa, se despedaça... Bandeira, você acredita que há salvação para o amor?
Tenho certa dificuldade em entender os que têm pressa em amar, não entendo esses “amores instantâneos” que se desfazem brevemente.
Penso que o amor é um fugitivo do tempo, pois ele interrompe o tic-tac fulminante do relógio com um abraço na eternidade... O amor acontece em pequenas porções diárias de ternuras conquistadas, e, é consolidado no carinho vivenciado... É claro, não basta a materialidade do enlaçar as mãos, é preciso antes enlaçar as almas.
Serenata - Cândido Portinari
Certamente, não podemos compreender inteiramente a alma do outro (isso só Deus pode), mas podemos conhecer uma parte, aquela que alcançamos por intermédio dos olhos (e que vai muito além deles); é só um pedaço do infinito...
Bandeira, os poetas são todos solitários? Não encontram uma alma para se comunicar? Quem sou eu para falar do amor? Não entendo muito bem dele, talvez, porque o amor seja como a poesia: não é para entender e sim sentir... Bandeira, serei eu uma sentimental incorrigível?
Isso são só divagações... É melhor que eu volte para os meus poemas... Ah Bandeira, queria que você estivesse aqui para prosearmos um pouco.

12/06/2014
Fabiana Cristina Ventura

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